
Depois de ouvirmos D. Simon no seu novo single “Onírico”, uma das pérolas do seu próximo álbum, apercebemo-nos que o artista e songwriter de Entroncamento tem uma vasta lista de inspirações que fizeram a diferença na sua década de carreira.
“Através de uma abordagem lírica introspectiva e conceptual, “Onírico” mergulha em temas como identidade, aceitação e conflito interno. Entre a lucidez e a abstração, a faixa constrói um espaço onde o “eu” se fragmenta e se reconstrói, assumindo a diferença como parte essencial do processo.”
Em “Onírico”, ouvem-se influências de artistas portugueses tais como NERVE e xtinto, mas o seu UNDER10 supera quaisquer fronteiras geográficas e, também, sonoras.
TOP 5 MAINSTREAM

“Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança”, NERVE
“A minha porta de entrada no rap tuga veio através de um dos álbuns mais soturnos, complexos e fascinantes do ramo. NERVE é um dos melhores nomes do rap luso por distintas razões, seja pela perfeita manipulação da palavra ou pela imagética sombria e forte. “Trabalho e Conhaque” abre com uma cidade perfeita e fecha com uma lenda, passando por temas densos como a desvinculação do superficial ao desamor melancólico e catastrófico, puxando imensos elementos do existencialismo e do absurdantismo filosóficos para batidas cruas e geniais. Deixo como destaque a faixa “Surpresa, Cabrão” por ser uma das faixas que mais me consumiu o cérebro numa altura onde debatia horas infindáveis com o meu irmão (Drew Nurse) sobre o tema da mesma – que continua a ser uma incógnita, e assim a deixarei para quem quiser ouvir.”

“Screamworks: Love in Theory and Practice“, HIM
“A minha banda favorita, o seu álbum mais underrated e, curiosamente, o meu favorito. Dentro do Love Metal, que a banda catapultou para os holofotes em meados da década de 2000, pouco ou nada se inovou até 2011 e o género já pouco respirava. Aqui entram os HIM com uma proposta de retirar elementos mais pesados e sacrificá-los por sintetizadores e vocais mais “simpáticos” e radio-friendly. Talvez tenha sido isso o que me cativou mais, a distinta função de catapultar uma ideia para as massas e fazer com que chegasse, de forma polida, a uma rádio sem sacrificar o tom melancólico e a imagética gótica. Destaco faixas como “Scared to Death” e “Katherine Wheel”, duas faixas que merecem uma análise aprofundada a uma letra carregada de metáforas mas com acordes simples de serem replicados em qualquer festa com uma guitarra acústica.“

“Em sonhos, é sabido, não se morre”, xtinto
“O projeto mais recente desta lista e, portanto, o mais próximo de algo atualizado que eu tenho como referência, de um letrista para outro. xtinto abre com a consciência pesada de uma voz calada e fecha com uma das músicas de desamor mais honestas. No entanto, mentiria se não dissesse que o diamante está por dentro desse intervalo, seja em confissões honestas de um sedentarismo da qual me revejo constantemente – mesmo contrariando-o como hobby – ou através de odes a amores passados com cheiro a novo. O destaque deste projeto magnifico iria, sem duvida, para a faixa “Nunca mais” por ser uma faixa que me deixa com o sabor de “como é que nunca me lembrei de escrever desta maneira?” – o que acho magnífico, levando esta como uma das faixas que mais me inspira para futuros projetos.“

“Amo”, Bring Me The Horizon
“Eu tenho um certo fascínio por projetos underrated de bandas pesadas e, por ser uma das minhas bandas favoritas, Bring Me The Horizon não podia ser exceção. Amo é um álbum extremamente experimental e não tem um fio condutor em termos sonoros, tanto estamos a ouvir uma faixa claramente inspirada em Coldplay para esgotar arenas e meter a malta a chorar como “medicine” como, logo a seguir, somos apresentados a uma catártica e honesta ode à peak performance biológica do cérebro humano aos 30 e a dúvida existencial que isso acarreta em “wonderful life”. Nada neste projeto puxa para uma narrativa coesa, deixando muitos fãs um bocado chocados e rotulando a banda, que outrora foi um dos picos do metal mais extremo, dentro de uma gaiola sonora que intitulam de “demasiado comercial”. Bem, para mim está vendido! Eu gostei o suficiente para ter este projeto como favorito especialmente por me dar aquilo que eu mais gosto em projetos desta banda – a inovação. Só que neste projeto tive inovação em cada faixa, o que se pode tornar confuso para quem não quer muita experiência. Não é o caso, lamento…”

“Beautiful Oblivion”, Issues
“Metalcore, Djent e vocais R&B? Count me in! Este projeto consegue ser dos mais desafiantes de ouvir por ser dos menos acessíveis a nível instrumental mas é capaz de ser dos que mais me inspira, tendo começado a ouvir álbuns de R&B depois deste álbum sair em 2019. É uma experiência sonora. Mescla a complexidade do Djent, a agressividade do metalcore e a beleza do R&B em faixas que, na teoria, não tinham como existir mas que se tornam autênticas obras de arte quando analisadas em exatidão. Destaco as faixas “Rain” e “Beautiful Oblivion” por complementarem tanto este género que agora existe com bandas como The Home Team, nightlife e Cherrie Amour.“
HM:
“LUV IS A LEGACY”, Murta
“Lower Than Atlantis“, Lower Than Atlantis
“Even In Arcadia“, Sleep Token
“You Are Forgiven“, Slow J
TOP 5 UNDERGROUND

“Na vdd,”, Matheus Paraízo
“Matheus Paraízo é um nome já conhecido do circuito musical português – mas é um daqueles artistas que os artistas conhecem, não o grande público. E isso é uma das maiores injustiças do mercado português que está a perder um dos melhores álbuns de R&B cantado na língua lusa. Não consigo caracterizar este projeto com um defeito que seja, acredito que é um dos melhores e mais bem polidos projetos que este sistema auditivo já teve o prazer de encontrar. Confissões através de melodias elásticas e altamente interessantes, “Na vdd,” é uma experiência sónica genial e um dos meus álbuns favoritos de sempre. Destaco a faixa “Virtude/Suplício” apenas pela palavra “só”. Quem ouviu vai compreender.”

“LEPUS”, Drew Nurse
“Talvez esteja a ser tendencioso, mas o projeto do meu irmão é um dos mais curtos e mais densos que tive o prazer de ver nascer. Lançado em 2021, este EP de 4 faixas é uma compilação ínfima do potencial gigantesco que encontrei neste que, ainda hoje considero, um dos melhores letristas portugueses. Destaco a faixa “AMOR” pela construção e desconstrução temática que ele conseguiu dentro da própria faixa, sendo uma ode ao seu talento inegável.”

“semmúsica’tavam*rto“, dazed lex
“Um álbum conceptual à boa maneira de Kendrick Lamar com uma história por trás que não é bonita, mas é honesta. Não podia estar mais feliz quando tropecei neste álbum que, logo de caras, se tornou um daqueles projetos que me faziam cócegas no cérebro. Parecia que estava a ler um diário bem escrito. Tem os seus momentos baixos mas são tão raros que o projeto não sofre com isso, o que é impressionante, na minha opinião. Destaco as faixas “querosergigante!” e “comdor” pela dinâmica e lírica desenhada.”

“Bagagem”, Cpjota
“Tendencioso (sendo que apareço na última faixa) e mais ainda dizendo que é uma das que destaco deste projeto. Mas não aceitaria participar neste projeto se não tivesse a completa certeza de que é um dos projetos mais coesos do underground tuga deste momento. É um álbum de uma perspetiva e de uma voz madura que não vem com a pretensão de conquistar o mundo ou de fazer vida das palavras – quer apenas dizer as suas verdades. E esse aspecto catártico é quase osmótico. Um projeto deveras competente e sonoramente diverso o suficiente para merecer o tempo de quem o tiver. Destaco as faixas “Fica” e “Identidade”.”

“E NO SÉTIMO DIA DEUS CRIOU”, Peculiar
Um dos projetos que ouvi com maior consistência na forma e no valor: Peculiar trouxe não só a imagética endeusada que eu tanto gosto para um ADN musical muito próprio com fusão de Pop com Eletronica. A fusão de géneros é evasiva no melhor sentido possivel e nunca sabemos qual vai ser a próxima secção do som. Esse arranjo desgovernado dá ao projeto uma simbiose bonita. Todos os sons remetem para temas do foro mitológico português e formam-se em volta dessa mesma premissa, deixando clara a capacidade inventiva não só nos instrumentais como na lírica que tantas vezes me desbloqueou novas formas de pensar numa música. Sendo um projeto recente, é um dos que mais referenciamos como inspiração para algumas composições minhas. Destacar só duas foi uma tarefa hercúlea, mas tento não desrespeitar a obra referenciando “MOURA” e “DEUS”.
HM:
“eu nem queria falar de amor.”, Lázaro
“Estaca Zero”, Luís Braz Teixeira
“all i see is blur“, 10/16

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