
Quando temos um produtor tão único quanto o si!va, que recentemente lançou o seu fantástico projeto self-titled, a primeira questão que nos aparece é: “De onde veio esta inspiração?” No UNDER10 de hoje, perguntámos a si!va quais foram os projetos que moldaram a sua sonoridade artística e chegámos à conclusão que, além de um alquimista sonoro, si!va é um ouvinte extremamente versátil.
TOP 5 MAINSTREAM

“Madvillainy”, MF DOOM & Madlib
“O meu álbum favorito de sempre: sempre que o ouço, encontro algo novo e desde a primeira vez que o ouvi que tem sido uma fonte infinita de inspiração. Eu lembro-me d’uma vez ler uma entrevista do Danny Brown em que ele fala em como este álbum o ensinou que nem todos os sons de hip hop têm de ter hooks e 3 versos de 16 barras, às vezes podes só mandar 32 barras e ’tá o trabalho feito, e eu também senti bastante isso mas traduzido para beats: nem todos os beats precisam de ‘tar estruturados de certa maneira, muitas das vezes os melhores beats são aqueles em que encontras um groove do caralho e deixas isso só tocar durante um tempo.”

“The Black Saint And The Sinner Lady”, Charles Mingus
“O Madvillainy é o meu álbum favorito de sempre mas pra mim este é mesmo O MELHOR ÁLBUM DE SEMPRE… Completamente maluco… Tipo, eu genuinamente não sei se consigo descrever bem isto. Algumas das composições mais lindas ‘tão aqui e também é um álbum bastante “imaginativo”, não sei se é bem a melhor palavra para descrever, mas sempre que ouço qualquer música deste álbum eu acabo por criar imagens d’um cenário na minha cabeça ao qual as músicas são a soundtrack.”

“Man Alive”, King Krule
“Um artista que acompanho há bastante tempo e, mesmo não fazendo de todo o mesmo estilo de música, uso bastante como ponto de referência. Honestamente podia ter escolhido qualquer álbum dele, mas escolhi o Man Alive porque é o que eu acabo sempre por regressar mais e no qual encontro mais conforto.“

“The Lonesome Crowded West”, Modest Mouse
“Rockalhada. Bastante formativo para mim, ouvi pela primeira vez algures no liceu e sempre ficou comigo. All around performances incríveis, songwriting muito muito bom do Isaac Brock. Ouço sempre este álbum em viagens longas, acaba por ser muito soothing.”

“Swimming”, Mac Miller
“Hoje em dia, não sou de todo o maior fã do Mac, mas este álbum vai ter sempre um lugar especial no meu coração porque quando isto saiu foi a primeira vez que eu decidi realmente sentar-me e ouvir um álbum frente pra trás e experienciar tudo e por isso mesmo acho que é o que marca o início da minha descida no “rabbit hole” da música hahahaha. Muito especial, descansa em paz Mac.”
HM:
“Since I Left You”, The Avalanches
“Doolittle”, Pixies
“Some Rap Songs”, Earl Sweatshirt
“Raven”, Kelela
TOP 5 UNDERGROUND

“Benefício da Dúvida”, Maria Reis
“Talvez a minha escritora portuguesa favorita e, honestamente, uma das minhas colaboradoras de sonho ahahaha. Este projeto é mesmo, mesmo incrível em todos os sentidos. Eu amo mesmo a escrita porque não só desde que ouvi relacionei-me a bastantes linhas, como outras sempre me fizeram puxar pela cabeça para as perceber. Isto já acontecia antes com os álbuns de Pega Monstro mas sinto que este projeto em específico ’tá noutro nível por completo.”

“Rugged Tranquility Volume 1”, ohbliv
“Tal como o Madvillainy, esta tape é uma fonte infinita de inspiração para mim. Quando comecei a ouvir mais beattapes e cenas instrumentais de hip hop, consegui identificar em produtores como o Tuamie, o Knxwledge, e mais uns quantos aquilo que eu realmente queria fazer e no topo dessa lista tava mesmo o ohbliv. A maneira como as samples são flipadas nesta tape são inacreditáveis e o mix em geral é algo que eu ’tou há anos a tentar aperfeiçoar no meu próprio estilo de produção.”

“tears of joy”, MIKE
“A minha introdução ao artista que acabaria por se tornar, talvez, o meu favorito. A maneira como ele consegue, tão literalmente, descrever a grief, tristeza, depressão pela qual tá a passar após a perda de alguém tão próxima dele é avassaladora. Eu já acompanho o MIKE desde 2019 quando isto saiu e álbum após álbum ele surpreende-me cada vez mais quer seja como escritor, produtor ou artista em geral.“

“Antologia do Samba Canção Vol. 1”, Quarteto Em Cy
“Um dos mais adorados grupos de bossa nova e MPB a fazer um álbum inteiro de covers de diferentes escritores em versões acapella ou com o mínimo uso de guitarra e percussão possível. Simplesmente mágico, a versão deste álbum da “Ternura Antiga” do Roberto Carlos é das coisas mais magníficas alguma vez gravada num estúdio.”

“Mal Passado Bem Pensado”, Wugori & gonsalocomc / “KIOSK”, DoisPês
Opa, isto é batota, mas não conseguia mesmo separar estes projetos um do outro ahahahaha. Eu sinceramente acredito que não seria a mesma pessoa ou artista que sou hoje em dia sem estes dois projetos. Quando o Mal Passado saiu eu já conhecia o Gonçalo mas nem tanto o resto do pessoal que acabariam por “fazer parte” de ensemblu, mas a verdade é que esse projeto foi realmente aquilo que (pelo menos pra mim) abriu as portas para mais interações entre artistas tugas com este mesmo tipo de mentalidades, work ethics, pontos de referência, etc etc. Foi a partir desse EP que eu acabei por conhecer muita gente com quem acabei por trabalhar e, na outra mão, o KIOSK do Paulo foi basicamente nós a mandarmos a porta abaixo e a introduzir-nos ao mundo. Ele fez mesmo um trabalho incrível ao reunir o povo todo mesmo p’ra pousar o pé no chão e fazerem-se percebidos, e por isso mesmo eu estou eternamente grato não só a estes dois projetos mas também ao Nuno, ao Gonçalo e ao Paulo por tudo aquilo que, mesmo não se apercebendo, conseguiram fazer por mim.

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