Açores não é só Espama Trincana: o underground português dá as boas-vindas a holden, o artista de Feteira que procura explorar a sua sonoridade através de projetos inesperados e experimentais sonicamente. O primeiro dos seus projetos, “anti.estético!”, é uma amostra gratuita daquilo que procura conquistar no panorama nacional no futuro.

“O projeto “anti.estético!” surge da evolução natural de um hobby que, com o tempo, se transformou numa verdadeira paixão pela música. Este álbum representa o primeiro passo sério na concretização desse percurso artístico, funcionando como uma apresentação da minha identidade criativa.

NO ONE CAN ‘HOLDEN’: DOS AÇORES PARA O MUNDO

“INTROORTNI!” é a introdução que começa este projeto que procura ser tudo… menos estético. Tal é abordado nesta introdução, com um palíndromo como título, onde holden canta sobre fazer a sua própria sonoridade, não se vender ao comercial e ser (obviamente) contra o genérico. O beat surpreende com um sample que soa a um glitch de um jogo antigo, mostrando ainda mais a vontade de experimentar do artista.

O delivery de “IF I BEND ILL BREAK” é, contudo, muito desperdiçado: holden começa a faixa em inglês e acaba-a na sua língua-mãe, mas devia ter dado mais atenção à vocalização e pós-produção, que acabou por transtornar a música pela sua falta de qualidade. Bonus points pelo final inesperado que transformou este “trap sujo” em jumpstyle puro graças à produção de WAVE 0880.

A vibe jumpstyle permanece em “FALLIN BACK” mas, em semelhança à faixa anterior, tem pouco charme no seu delivery vocal. A segunda metade da música melhora um pouco e, para complementar a faixa, aparece o artista Henr1que para fazer um verso limpo que, no entanto, também merece mais “caneta”.

“HOLDEN VAI COM CALMA 2” mostra claras influências da sonoridade de vanish shawty na produção e delivery mas com a lírica melódica de holden, melhorando um pouco o caminho “anti.estético!”. A transição para o estilo dirty rap de “YOUNG OG” é inesperado e mega interessante: holden mostra algum do seu potencial lírico abordando a sua versatilidade e o seu ódio por comparações em português… e inglês.

“Ao longo do projeto, procuro demonstrar versatilidade e explorar diferentes facetas sonoras em cada faixa, evitando fórmulas genéricas e procurando sempre uma abordagem própria. Tal como o nome do álbum sugere, “anti.estético!” nasce da vontade de quebrar padrões e experimentar sonoridades e beats menos convencionais, criando uma experiência musical variada e autêntica.

“STRANGER THINGS” é pessoal, porque ameaça o UNDERBOUNDS... o beat que usa a introdução da série Stranger Things como sample deixa qualquer pessoa com cara feia, especialmente quando Leyon Moreira chega para lançar o melhor feature de “anti-estético!” com apenas 40 segundos. O delivery de holden em “STRANGER THINGS” mostra-se o mais consistente da tracklist, e Henr1que também regressa com um verso melhor do que o de “FALLIN BACK” (e não dizemos isto apenas por causa do icónico verso “Se a review não for sincera, damos raid na UNDERBOUNDS”), por isso vemos aqui um trio com um potencial tremendo.

Em “NUNCA LIGUEI P ESSE HATE”, holden convida lux para cantar em cima de 808s extremamente potentes. holden rima em tom psicopata e narcisista mas faz um refrão demasiado genérico para um projeto “anti-estético”. Com a sua voz singular, lux faz a sua parte com um verso curto, mas que faz a sua diferença na faixa.

O mood do projeto muda repentinamente a partir de “VERDADEIRO, IMPERFEITO E SERIO”. Nesta música, holden dá um desabafo introspetivo sobre auto-estima, música e a sua visão sobre carreira. Além disso, o artista dá um importantíssimo conselho final para quem se sente fraco e sem esperanças. “CRESCER”, a faixa final de “anti.estético!”, é mais uma amostra melancólica da visão de holden sobre a vida, abordando de forma mais honesta os seus pensamentos e mencionando que “transformou a sua ansiedade num som”.

“Entre as principais influências que ajudaram a moldar a direção artística deste projeto destacam-se 2hollis e vanish shawty, artistas cuja abordagem experimental e estética sonora inspiraram a procura por uma identidade musical própria e menos convencional.

UNDERATING

  • INTROORTNI!: 6/10
  • IF I BEND ILL BREAK: 4/10
  • FALLIN BACK: 3/10
  • HOLDEN VAI COM CALMA 2: 5/10
  • YOUNG OG: 5/10
  • STRANGER THINGS: 6/10
  • NUNCA LIGUEI P ESSE HATE!: 4/10
  • VERDADEIRO, IMPERFEITO E SERIO: 6/10
  • CRESCER: 6/10

undereview

holden fez exatamente o prometido: deu-nos um projeto musical fora dos parâmetros estéticos comuns. A sonoridade também se mostra atípica mas demasiado confusa, devido à forte vontade de holden explorar novos conceitos e ideias a cada minuto de “anti.estético!”. Tal resultou num projeto que, apesar de experimental, não fez jus à qualidade inovadora que tanto se procurava.

Apesar da falta de estrutura, holden foi capaz de criar faixas interessantes, temas dinâmicos e, principalmente, um conceito heterodoxo, por isso existe um bom potencial na sua dimensão artística que merece, a partir daqui, maior atenção à qualidade e estrutura do que apenas o conceito “anti-conceptual”.

Uma resposta a ““anti.estético!”: o protesto artístico de holden”

  1. […] seguir ao verso de Xais, ouvimos holden mais uma vez (para quem não se lembra, cliquem aqui). Diferente do que fez em “anti.estético!”, holden explorou menos e fez um verso […]

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