“Já sabíamos que YuungBritish não fazia apenas música, mas dava experiências sonoras, desde a “Cicatrizes”, e “Isto É Cultura” foi uma versão expandida do potencial que ele tem no mundo da arte.”

Menos de um ano depois de “Isto É Cultura”, o jovem artista YuungBritish volta a atacar com um EP… completamente diferente do que ouvimos antes. Com um visual típico da estética rage, desde a capa do EP até aos visualizers, ao ouvirmos “I’m Danger”, deparamo-nos com uma sonoridade completamente distinta, inspirada em géneros tais como o reggaeton e EDM.

Já conhecido pela sua extrema versatilidade artística, YuungBritish nunca desiste de surpreender com as suas experiências sonoras, e “I’m Danger” é mais uma dessas experiências que demostram o seu potencial no ramo artístico.

“MAS… PERO… WHAT?”: a versatilidade linguistico-sonora de “I’m Danger”

“Pensamentos” coloca-nos numa posição confusa: então mas, afinal, a estética “rage” é só um disfarce? Chegamos à conclusão que sim: “I’m Danger” é uma obra que explora o… reggaeton português. “I’m Danger” aborda vários temas, desde amores inesquecíveis ao hustle constante do artista para ser um dos grandes do underground.

Para abrir mais o “Panorama”, YuungBritish explora o género com um flow mais dançante e uma produção mega experimental onde aborda esse foco gigante em fazer a diferença no panorama português.

Mas, do nada, cantamos em espanhol! Em “Profundo”, o artista mostra-se apaixonado e poliglota na língua-mãe do reggaeton, mas no segundo verso, surpreendemo-nos mais uma vez com o feature inesperado de Icey4Icey, um artista suiço que faz a sua parte… em alemão-suiço. “Paz” não dá jus ao nome, pois permanecemos dançantes na pista de dança com os refrões viciantes de YuungBritish.

“Visionário” representa não só mais uma música, mas também a estreia musical de Mkrieg, também responsável pelos visualizers de “I’m Danger”. Apesar de ser um verso curto e sem grande energia, isto é o início de mais uma carreira! Em “Saudade”, YuungBritish volta a experimentar uma junção de espanhol e português, numa produção futurista que mostra a ambição e experimentação do artista.

“Não Prendas O Cabelo” é, de longe, a faixa mais experimental de “I’m Danger”, com o sampling da melodia do clássico de José Pinhal em conjunto com o beat reggaeton e o refrão de YuungBritish que também se inspira na obra de mais de 40 anos.

Muda-se o estilo na penúltima faixa, “Alguém Que Acorde”, com uma sonoridade trap com alguns elementos de rage, como os ad-libs impossíveis de ignorar. Aqui ouvimos mais uma colaboração, desta vez do artista Dionce que adiciona mais um idioma, o italiano, a esta obra cheia de linguagens.

Na última faixa de “I’m Danger”, “Pressão”, entramos numa vibe completamente diferente onde YuungBritish canta sobre amor em espanhol numa produção EDM. Nesta conclusão surpresa, percebe-se que “I’m Danger” tem quase tudo, desde reaggeton, EDM, trap em línguas desde o português ao alemão, comprovando, mais uma vez, a versatilidade tenebrosa de YuungBritish.

undereview

O YuungBritish de “I’m Danger” e o YuungBritish de “Isto é Cultura” são duas faces completamente diferentes, mas com ambições semelhantes: desde a review do último projeto, não se mudou a visão clara de que YuungBritish não quer apenas fazer o que dá certo, mas sim o que quer fazer de verdade.

A versatilidade linguística de “I’m Danger” é absurda, além da versatilidade sonora que já era de esperar do artista. Apesar de YuungBritish ter uma margem de melhoria para os versos que, como em “Isto é Cultura”, soam ainda demasiado genéricos e com métricas confusas para o ouvinte, não deixamos de elogiar a experimentação sensacional deste projeto que, visualmente, parece que vamos precisar de protetores auditivos e não de sapatos de dança.

No final de contas, YuungBritish melhorou ao longo dos tempos, trazendo uma obra diferente e, acima de tudo, diferenciada. A coragem de experimentar tantos géneros novos e tantas línguas novas em um só projeto é algo que poucos artistas terão, mas YuungBritish tem, e muita.

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