Depois dos lançamentos individuais “6” e “Mister Worldwide”, crimson trapdoor e e RUDI juntam forças para ir de “MÁS INFLUÊNCIAS” a “PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS”, lançando uma sequela muito mais experimental com sonoridades muito mais questionáveis.

“6” E “MISTER WORLDWIDE”: O ANO DA DUPLA MAIS INFLUENTE DO UNDERGROUND

Este ano, tivemos o gosto de ouvir dois projetos individuais de ambos os artistas: em fevereiro, crimson trapdoor lança “6”, um álbum curto onde junta features desde vanish shawty, lux e o próprio RUDI para criar um dos seus melhores projetos até hoje, superando o seu anterior “PLUNK 2000”, que conta com uma review nossa. Através de uma abordagem muito mais própria com uma sonoridade consistente e os seus instrumentais tipicamente diferenciados, “6” e o seu deluxe “6++” foram mais duas amostras do potencial de crimson, que não se deixa ficar por uma vibe só e procura explorar o que houver para ele.

Em abril, é a vez de RUDI lançar “Mister Worldwide”, um projeto agressivo com uma sonoridade distorcida que já se tornou patente do artista, juntamente com a sua lírica imprevisível. E como a parceria é recíproca, crimson trapdoor também faz parte de “Mister Worldwide”, mais especificamente na faixa “100!” onde faz uma participação que não passa despercebida. RUDI é, de longe, dos artistas underground mais barulhentos do panorama, e tal torna fácil a decisão de ouvi-lo ou não: se gostas de trap, estás em todos os moshpits e queres ficar surdo antes dos 25 anos de idade, this is for you.

DE MAUS A PÉSSIMOS: A SEQUELA DAS “INFLUÊNCIAS”

Esta não é a primeira vez que ouvimos um projeto colaborativo entre RUDI e crimson trapdoor: no final de 2025, tivemos a oportunidade de ouvir “MÁS INFLUÊNCIAS”, um projeto de trap alternativo mega sólido que junta as duas vozes que, apesar de terem as suas diferenças, complementam-se incrivelmente. Bangers tais como “MESMO ASSIM” e “BIRKENSTOCK” mostram claramente a energia potente desta dupla, que fez questão de repetir a proeza de fazer mais um projeto em conjunto este ano, para felicidade dos fãs.

“PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS” é a sequela que tanto se esperava, e uma coisa é certa: este projeto conta com, possivelmente, os 10 minutos mais experimentais da discografia da dupla. Mantém-se a vibe alternativa com elementos de trap, mas podemos ouvir mais distorção, beats incomuns e samples… confusos.

“ATRAVESSADO” começa esta aventura com um refrão que conta com harmonias imprevisíveis, 808s potentes e a típica lírica que não procura surpreender, mas dar aquele hype que rebenta qualquer concerto. Mas o delivery dos artistas deixa demasiado a desejar: crimson trapdoor passa despercebido pelo beat e pelos adlibs, apesar de ter um verso coerente, mas parece que RUDI usou todas as vozes possíveis com todos os efeitos possíveis e acabou fazendo um dos seus deliveries mais fracos pela falta de consistência sonora.

Seguimos com “ATOMIX”, uma faixa mais consistente do que a anterior, mas que também não parece dar nenhum ponto forte dos artistas, além da escolha de beat que, desta vez, surpreendeu pela positiva, e da típica lírica confusa de RUDI, que conseguiu se contradizer de forma hilariante na barra “A minha bitch, ela é tranny, eu sou bissexual”.

Apesar da discografia de RUDI e crimson ser, maioritariamente, de experiências sonoras interessantes, uma coisa é certa: “DINHEIRO LIMPO” é mais do mesmo e está muito abaixo do potencial que se espera dos artistas. A partir daqui, começa-se a perceber que “PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS” foi feita para moshpits e destruições de colunas, mas isto é extremamente difícil de ouvir no dia-a-dia e a distorção não é, de todo, o motivo dessa dificuldade. “UNTITLED (1)” é mais uma das provas disso: o problema não é a música ser alta, é simplesmente a música não ser interessante, acabando por parecer que RUDI e crimson deram um passo para atrás, porque é muito mais fácil acreditar que este projeto foi feito antes de “MÁS INFLUÊNCIAS”.

Mas se há uma coisa que os artistas fizeram bem foi as transições imaculadas, sendo “GOIN’ INSANE!” um belo exemplo disso. Esta faixa é, de longe, a melhor música de “PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS”, graças ao refrão melódico e catchy de crimson trapdoor que, junto com o grande verso de RUDI, transforma este final numa “luz ao fundo do túnel”, apesar desta luz ser, infelizmente, a faixa mais curta do projeto.

undereview

É por sermos grandes admiradores das experiências sonoras de crimson trapdoor e RUDI que a verdade merece ser dita: “PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS” é o projeto mais fraco das suas discografias recentes e acaba por impressionar pela negativa. Quando ouvimos “6”, ouvimos um crimson trapdoor muito mais preparado e diferenciado, com uma sonoridade consistente e sem monotonia; quando ouvimos “Mister Worldwide”, ouvimos um RUDI potente, que não é para todos mas não procura ser para todos, tende a ser barulhento e distorcido mas mantém uma base de ouvintes sempre a postos para causar estrago quando ele está em palco; “MÁS INFLUÊNCIAS” juntou o melhor dos dois mundos e transformou a sonoridade de ambos num projeto super consistente que deixou uma marca forte no potencial da dupla.

Com tanta coisa boa a dizer dos artistas, “PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS” parece deitar tudo abaixo com uma sonoridade fraca, quase nociva, que não mostra nada do que ambos são capazes de fazer. O potencial está lá, mas este projeto não foi, de todo, a sequela que tanto merecia ser: de uma discografia tão vasta com tantas ideias diferenciadas, parece que estamos a ouvir um primeiro projeto, uma primeira tentativa. Desde “PÉSSIMAS INFLUÊNCIAS”, RUDI e crimson trapdoor já lançaram novos projetos, “soundtrack.” (RUDI) e “SÓSIA” (crimson), que soam muito melhor ao que foi ouvido neste projeto, por isso nada está perdido e acreditamos que esta dupla ainda vai fazer muita diferença no panorama underground nacional.

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