No mundo do pluggnb, existem inúmeros sub-géneros inovadores e, a cada dia que passa, temos novas ideias a chegar. Tal como neste caso, onde o artista crimson trapdoor lança “PLUNK 2000”, uma das primeiras noções nacionais do que podemos chamar “funk plugg” ou “funknb”: este projeto de 6 faixas e 13 minutos prepara terreno para uma área de potencial crescimento no sub-género.

FAIXA-A-FAIXA

“rainha e rei”: a partir da faixa inicial, começamos a ouvir os elementos: o beat inspirado nas vibes inesquecíveis do funk anos 2000 a colapsar com o delivery vocal high-pitched, típico do género plugg, de crimson. Nesta faixa, verificam-se grandes possíveis melhorias na pós-produção, que tornam alguns versos difíceis de ouvir.

“em todo o lado (com Jayjah e Stizzy)”: a faixa seguinte foi produzida pelo talentoso produtor maranhense Stizzy e tem a participação especial de Jayjah, um artista brasileiro criado no Canadá, com um verso cheio de destaque e personalidade que contrasta com o refrão catchy do crimson.

“melodia (com luvdyann)”: Stizzy permanece intacto na produção de “melodia”, mas os deliveries vocais (tanto de crimson como do artista convidado luvdyann) não conseguiram surpreender pela positiva devido à falta de coesão lírica e sonora, deixando muito a desejar de uma música que podia estar muito mais bem trabalhada.

“em outro mundo (com opiothekid)”: esta que é a faixa mais curta de “PLUNK 2000”, ouve-se um delivery vocal de crimson mais claro e agradável, juntamente com um verso energético do opiothekidd que acaba… inesperadamente.

“entre nós (com vanish shawty)”: o maior azar de “entre nós” é o auto-tune estar completamente fora de tom, porque a energia de crimson e vanish shawty é uma química invejável no pluggnb. Infelizmente, é mais uma das músicas onde o potencial está nítido, só faltava mais trabalho na produção.

“casino (com pedroml)”: o delivery lento e “telefónico” de pedroml dá uma sensação diferente e quase nostálgica para “casino”, com um refrão catchy que lembra os clássicos do género. Para terminar em grande, crimson faz um último verso para o final do projeto, deixando a vibe funknb extremamente presente ao longo de “PLUNK 2000”.

O MAIS:

Não se nega que fazer um projeto “funk plugg”, um género ainda por explorar, é um conceito corajoso de fazer e crimson trapdoor não desapontou na execução. Apesar dos apesares, crimson usou bem os recursos que tinha para “PLUNK 2000” e fez um projeto interessante com um potencial enorme, com uma escolha de artistas bem feita e uma produção surpreendente.

O MENOS:

Sendo um dos primeiros projetos do sub-género no âmbito nacional, não é possível acertar em tudo à primeira: a pós-produção de “PLUNK 2000” é o ponto mais fraco, com algumas faixas com um mix desequilibrado entre artistas, o erro “catastrófico” do tom do auto-tune de “entre nós” (devido ao grande potencial da faixa), e a confusão sonora de “melodia”. Uma coisa é certa: crimson tem gosto por experimentar sonoridades e isso verifica-se, por isso não olhamos para o projeto como um falhanço, mais como um horizonte de potencial que crimson vai usar a seu favor para evoluir como artista!

UNDEREVIEW

“PLUNK 2000” é uma tentativa de juntar dois géneros que pareciam incompatíveis e fazer algo inovador, e crimson não falhou: a experimentação é a chave para o crescimento artístico e aqui ouvimos um artista que não tem medo de tentar e de fazer a diferença. Apesar de não ser o melhor projeto de crimson, ouve-se uma vontade de inovar e, por isso mesmo, o preço é falhar algumas vezes no processo.

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