
O TEU SOM EM PANO: um guia de merch para artistas emergentes em parceria com a marca LXCIDARTE, da ilustradora, empreendedora e curadora artística Julia Lavezzo.
Às vezes, dá-nos aquele clique: “Era brutal ter t-shirts com o meu som estampado”. Mas logo a seguir vem a dúvida: “Por onde é que eu começo? Preciso de investir muito money? E se ninguém comprar?”
Neste guia, vamos simplificar o processo, mostrando-te, passo a passo, como transformar o teu som em pano — de forma autêntica, acessível e que grite a tua estética — sem precisares de um MBA.
First things first: O que é merch, mesmo?
“Merch” é a abreviação de merchandise. No contexto musical e artístico, merch refere-se a produtos físicos que um artista vende para divulgar o seu trabalho, impor uma estética visual e, por consequência, gerar algum money.
Merch pode ser:
- T-shirts com o nome/logótipo do artista ou arte relacionada;
- Tote bags, bonés, hoodies;
- Stickers, posters, pins;
- CDs, vinis, até cassetes;
- Magazines ou prints exclusivos;
Mas para além do rendimento, o merch é uma forma de criar identidade visual, se conectar com quem curte o teu som e ocupar espaço no mundo físico, além do digital.
Mas eu preciso de ter merch do meu som? É assim tão importante?
Pensa assim: ter merch com a tua arte é como ter posters ambulantes a deambular pela cidade. E ainda por cima, pagaram para fazê-lo. WIN-WIN situation!
Além disso, o merch dá algo que muitos artistas se esquecem: MEMÓRIA FÍSICA!
Porque depois do show acabar e os nossos ouvidos ficarem a zunir durante 5 horas, o que fica? Fotos e vídeos que vão ser apagados daqui há uns meses? Não! É aquele sticker no notebook do teu público. Aquela tote bag que chega sempre 15 minutos depois da aula já ter começado. A t-shirt que aparece nos posts do Insta da noite anterior (talvez meio suja, mas o que importa é a intenção).
Agora que já entendeste o porquê da importância da merch, bora para a parte da criação criativa!
Bora pôr as mãos na massa: como fazer teu merch?
Passo 1: Traduzir o teu som para o papel
Antes de tudo, responde a estas perguntas (podes até copiar e preencher):
- Que cores me vêm à cabeça quando penso no meu som?
- Qual o símbolo/objeto que melhor representa a minha vibe?
- A minha música é mais agressiva, introspectiva, animada, espiritual…?
- Como eu quero que alguém se sinta ao vestir o meu merch?
Isto vai ser o teu briefing pessoal. E se fores trabalhar com alguém (designer, ilustrador, gráfica), já tens meio caminho andado. Pensa sempre: o merch perfeito parece contigo ou parece um logo numa bag genérica?
Pensa em como a sua estética sonora pode virar visual:
- Punk? Cabelos para cima, correntes, letras garrafais. Geralmente um visual mais justo ao corpo.
- Rap? Oversized, confortável, com letras em graffiti.
- Jazz? Vintage fit, ou uma t-shirt regular com um desenho ou expressão mega específica que só pessoal do jazz vai entender.
- Noise? Uma t-shirt só com um ponto no meio. They will get it.
Se a sua música é suja, crua, rimas pesadas… não faz sentido o seu merch ser fofinho, com fadinhas e brilhinhos (mesmo que seja fofo, ngl). A ilustração e o design têm que contar a mesma história que a sua faixa.
Exemplo:
Na minha loja de arte, a LXCIDARTE, lancei a minha última coleção “HUG YO PARENTS”, onde brinco com o contraste: desenho fofo + frase de humor ácido ou irónica.

Apresento-te um dos meus bestsellers da coleção: “GOOD HAIR DAY”. Esse tipo de mistura (gato descabelado, mas frase a dizer “dia do cabelo bom”) provoca reação. Não é só bonito, como também é relatable e memorável.
Uma t-shirt que funciona é aquela que alguém olha na rua e pensa: “OMG! Eu preciso de uma igual!” (antes mesmo de saber que é de uma banda). E Isso só acontece quando o merch tem conceito, história e alma, criando desejo de pertencer a uma estética.
Passo 2: Criar a arte
Se fores artista visual, já sabes o caminho.
Ferramentas úteis para designers:
- Miro ou Figma – para moodboards e rascunhos rápidos;
- Coolors – para paletas de cor automáticas;
- Pinterest – para vibes, referências visuais e estéticas;
- Fontpair.co – para fontes que combinam bem juntas (caso cries algo escrito).
Dicas para designers: ouve a música antes de desenhar. Não é sobre fazer um flyer bonito, é sobre vestir um som. Saiba separar as fases de criação! Pensa, escreve, racionaliza, depois faz. Salva tempo e evita crise. Faz teu merch se destacar até de longe! Usa cores impactantes e que tenham um bom contraste, mas não aconselho o rosa neon, não são muitas pessoas fãs dessa cor… Lembra-te que é primordial que dê pra ler/compreender o que está lá.
“Ah, mas eu não entendo nada de ilustração ou design.”. Pode ter a certeza que há milhares de artistas por aí que estão 100% dispostos a trabalhar com o seu som. Lembra-te: estamos todos no mesmo barco! Uma mão lava a outra. Ajuda um amigo artista num dia, que vai voltar para você.
Onde encontrar ilustradores e designers:
- Instagram (procura por hashtags tipo #illustratorportugal, #merchdesign, #undergroundart)
- Behance
- Fiverr ou Upwork
- Grupos de Facebook como “Artistas Independentes PT” ou “Designers Portugal”
- Ou aquele teu amigo(a) que vive a desenhar no canto da aula.
Passo 3: Produzir (sem vender um rim, de preferência)
Tenha a arte. Digital? Perfeito. Manual? Só digitalizar. Dá-se um jeito. Depois, decide o tipo de merch. Pensa no teu público e na logística: T-shirts, stickers, tote bags, canecas, gorros, lenços, tapetes para a cada a de banho (why not?).
Para DIY lovers:
- Stickers DIY:
- Gráfica local com papel autocolante (ex: PrintStop, Gráfica 21, etc.);
- Papel autocolante + tesoura em casa = versão artesanal.
- T-shirts e tote bags DIY:
- Stencil com spray (barato e com look punk);
- Linogravura ou carimbos (dá para fazer em casa com x-ato);
- Serigrafia artesanal (há workshops baratos ou kits online!).
Para profissionais low-budget:
- Sites portugueses de produção sob demanda (sem stock, sem dores):
- Montink – integra com redes sociais (ideal para vender sem site próprio);
- Vesteer – print-on-demand em Portugal;
- Redbubble, TeePublic – internacional, para fãs fora de Portugal;
- Sticker Mule – stickers top, já cortados, boa qualidade;
- VistaPrint.pt – versátil, faz de tudo um pouco.
Quer fazer produção local? Procura cooperativas ou serigrafistas independentes na tua cidade. Apoia artistas locais e ganha em originalidade.
Passo 4: Vender (ou oferecer, ou espalhar)
Não tens loja online? Aqui vão opções fáceis:
- Linktree com links diretos para compras (pode ser Google Forms ou Insta DM)
- BigCartel – loja grátis até 5 produtos
- Shopify Starter – versão simples para começar com vendas diretas
- Etsy – para produtos mais artísticos ou “feitos à mão”
Dica: começa com poucos produtos e em quantidades pequenas. Testa primeiro!
Recursos extras para te ajudar:
| Para… | A ferramenta é… | Porque serve para… |
|---|---|---|
| Design | Canva, Figma ou Affinity Designer | Criar estampas simples |
| Mockups | Placeit.net, Smartmockups | Visualizar a t-shirt sem precisar imprimir |
| Gestão de vendas | Gumroad, Stripe, Notion | Vender e organizar pedidos |
| Logística | CTT Expresso, Mondial Relay ou DHL | Envio em Portugal e fora |
| Controlo de custos | Google Sheets | Planear orçamento e margem de lucro |
Exemplos de merch criativo (que ninguém fala mas vale a pena arriscar):
- Cartas colecionáveis com trechos de letras;
- Tote bag que vira cartaz quando pendurada;
- Magazines com bastidores do EP (até dá pra assinar);
- Pins com expressões tuas ou memes da tua crew;
- Merch sazonal: lenços no inverno, leques no verão 😎
- Meias com arte;
- Adesivos com o cheiro do seu estúdio (sim, existe. mas pode não ser a melhor ideia);
- Postais, um lado uma fotografia ou ilustração, outro uma letra da música.
Conclusão:
Merch é muito mais do que vender coisinhas. É continuar a sua performance fora do palco. É criar conexão, contar histórias, deixar a sua estética ecoar pelos corpos que cruzam a cidade.
Isto é, se a sua música toca alguém, o seu merch precisa tocar também. Até porque, no underground, ou tu és inesquecível, ou és só mais um logo na tote bag.
Assinado,
LXCIDARTE.


Deixe um comentário