Sabes quando alguém te diz “manda aí o teu press kit” e tu congelas um bocado… “tenho o link do meu SoundCloud e um story que publiquei em maio… conta?”

Relax. Toda a gente começa assim. Mas hoje, vamos te montar um press kit simples, bonito e eficaz — sem pagar nada e sem parecer que trabalhas numa empresa de contabilidade.

O que é um press kit?

Um press kit (também conhecido como EPK – Electronic Press Kit) é uma apresentação digital que resume quem és e o que és enquanto artista: o teu som, a tua identidade, o teu percurso e o que tens de especial. É como um cartão de visita, mas com links, fotos, história, e potencial para mudar o rumo da tua carreira.

Mas, afinal, o press kit serve para quê?

  • Mandar para salas de concertos;
  • Apresentar-te a jornais, rádios, blogs e curadores de playlists;
  • Apanhar a atenção de marcas, coletivos ou agentes;
  • Criar uma imagem profissional e coerente do teu projeto.

Ok, mas que tipo de artistas devem ter um?

A resposta é simples: todos. Sim, até tu que ainda não lançaste o primeiro EP.
Mesmo que estejas a começar, é bom ter um documento simples que diga: “Estou aqui, este é o meu som, este é o meu caminho”.

Então, o que devo colocar no meu press kit?

Vamos ponto a ponto. Podes montar um EPK em PDF, num site, ou até numa página de Notion (já lá vamos às ferramentas). Aqui está o que não pode faltar:

1. Biografia curta e relevante

Nada de “sempre gostei de música desde pequeno”. Toda a gente gosta. Conta a tua história com personalidade e sem enredos desnecessários. Inclui:

  • Onde estás baseado;
  • O que fazes (no que toca a som, géneros e influências, não precisas de referir que trabalhas na Decathlon)
  • Destaques (EPs, colaborações, concertos)
  • E o mais importante… O que te torna especial!

Aqui tens um exemplo:

José dos Frangos Fritos é um artista emergente de Portalegre que mistura R&B experimental com pimba melódico. Com letras que flutuam entre o existencial e o confuso, lançou o EP “O Meu Pai Tem Um Carro Velho” em 2024, gravado num home studio improvisado com um iPhone e um cobertor. Já passou pelo Festival Bananas de Portalegre, atuou em coletivos DIY e prepara agora o seu primeiro álbum visual, “A Minha Mãe Tem Uma Casa Pequena”.

2. Links essenciais

Facilita a vida de quem te está a conhecer. Escolhe links relevantes, entre eles:

  • O teu Spotify/Bandcamp/YouTube;
  • O teu Instagram (importantíssimo!);
  • O teu site/Linktree/e-mail.

Se tiveres muitos links, cria um botão com “Ouvir aqui”, para facilitares ainda mais a vida de quem te quer ouvir!

3. Fotos profissionais (ou com bom aspeto, pelo menos)

Tens de ter pelo menos:

  • 1 foto horizontal;
  • 1 foto vertical;
  • E certifica-te que estão em alta resolução.

Lembra-te: Não precisas de fotógrafo profissional. Junta um/a amigo/a, escolhe um fundo neutro (uma parede branca ou a própria natureza), capta um retrato nítido com luz natural, editas numa app de edição de fotos e já está!

Outra dica: evita selfies, filtros pesados e texto nas imagens.

4. Discografia/portfólio resumido

Cria uma secção com:

  • A capa dos teus lançamentos (álbuns, singles, colaborações);
  • Datas e links para audição;
  • Uma pequena descrição para cada álbum ou single (caso não tenhas álbuns ainda).

Bónus para destaque: Podes incluir um “Para fãs de…” com 2 ou 3 referências musicais.

5. Destaques de imprensa

Se já foste mencionado nalgum meio — mesmo que pequeno — mete isso com orgulho.

Por exemplo:

  • “Música da Semana” no (prestigiado) blog UNDERBOUNDS (rúbrica nova a chegar…?);
  • Entrevista no podcast “RAP BUÉ FIXE”;
  • Destaque no Instagram da Maria dos Azeites com 5k views (ok, talvez este não);

Lembra-te de incluir:

  • O título;
  • O link;
  • E uma citação marcante (se houver).

6. Vídeos ou live performances (apesar de opcional, é poderoso)

Se tens material ao vivo, ou mesmo vídeos de ensaio bem filmados, inclui. Serve para mostrar carisma, performance e ligação ao público.

O ideal seria:

  • 1 vídeo ao vivo (com som decente)
  • 1 videoclipe (se tiveres)
  • 1 story/conteúdo criativo marcante (para provar que sabes comunicar)

7. Contactos diretos e profissionais

Nada de emails tipo “gatafunk2020@”, por favor. Usa um e-mail profissional, e se tiveres um agente ou manager (mesmo que seja o teu primo), identifica isso.

Exemplo:

josedosfrangosfritosmusic@gmail.com
(+351) 912 345 678
Booking: Júlia Pires – julia@underground.art

Ferramentas grátis para montares o teu press kit

Estas são opções ideais para artistas que querem fazer algo bonito sem gastar nada:

FerramentaO que podes fazer?Porquê este?Link
CanvaUm PDF interativo ou uma imagemVisualmente profissional e muito fácil de editarcanva.com
NotionUma página web estilo siteFlexível, moderno e de partilha fácilnotion.so
Google DocsUm PDF simplesMinimalista e direto ao pontodocs.google.com
CarrdUma página web gratuitaMuito limpo e rápido de montarcarrd.co

UNDERTIPS que fazem toda a diferença:

  • Atualiza regularmente. A cada novo lançamento, concerto ou menção na imprensa, atualiza o teu kit;
  • Cria uma versão pública e outra só para profissionais. Um link aberto com as informações básicas e outro mais completo para enviar sob pedido;
  • Inclui uma frase de pitch. Tipo: “José dos Frangos Fritos cria música para dançar de olhos fechados.”;
  • Tem sempre o link na bio do Instagram. E no Linktree. E no rodapé dos teus emails. Como uma assinatura de guerra.

Acredita: Não interessa se ainda não encheste salas ou se gravaste o teu primeiro som com o microfone do portátil: um press kit bem feito diz ao mundo que estás aqui e levas isto a sério.

Tu és underground, mas mereces visibilidade. E com este primeiro passo, estás a construir pontes para colaborações, palcos e oportunidades.

Se fizeres o teu press kit inspirado por este post, manda para o UNDERBOUNDS — pode ser que te destaquemos como exemplo de um artista independente com visão.

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