
dazed lex, nome artístico de Alexandre Costa, é um músico português que tem vindo a marcar presença no panorama musical português com o seu fantástico repertório enquanto rapper e produtor. Além de fundador da label 14, é o artista por trás de “semmúsica’tavam*rto”, um dos álbuns conceituais mais aclamados do underground português graças à sua habilidade lírica e capacidade de transmitir emoções fortíssimas através de um simples microfone.
Pretende marcar a diferença num futuro próximo e mostrar a qualidade que consegue trazer, estabelecendo-o como um dos artistas mais promissores proveniente da música urbana portuguesa, e hoje vamos conhecer os projetos que o estão a ajudar a crescer como pessoa e, obviamente, como artista.
TOP 5 MAINSTREAM

“Mr. Morale & The Big Steppers”, Kendrick Lamar
“Um dos álbuns mais controversos a nível de receção do público mas, para mim, o melhor. O Kendrick é um dos meus artistas favoritos e, consequentemente, é difícil escolher um álbum que se destaque no meio de uma discografia quase sem skips. Considero todos os álbuns dele praticamente na mesma tier, e a única coisa que me faz destacar o MM&TBS é a honestidade e capacidade introspetiva absurda que o artista demonstra ao longo do mesmo. Todos os álbuns do Kendrick são bastante pessoais e introspetivos (apesar de o serem de formas diferentes), mas este álbum mostra o seu lado mais humano, algo que me agrada imenso. Destaco a faixa “Auntie Diaries” que, apesar de polémica, revela uma capacidade narrativa fora do comum.”

“Channel Orange”, Frank Ocean
“Gosto bastante do “Blonde”, mas acho que o “Channel Orange” o supera em diversos níveis. Apesar de serem álbuns com alguns pontos em comum, eu gosto particularmente da descontração e leveza presente no “Channel Orange”. É um álbum ao qual costumo recorrer quando me apetece estar mais relaxado, mas que ainda assim tem faixas extremamente profundas e sérias a nível temático. Destaco as faixas “Bad Religion”, “Sweet Life” e “Pink Matter” (com André 3000), por serem das músicas mais agradavelmente únicas que já ouvi na vida.”

“Clancy”, Twenty One Pilots
“Os Twenty One Pilots são a minha banda favorita desde a explosão do “Stressed Out” em 2015. Já passámos momentos mais próximos e mais afastados, mas de alguma forma sempre estiveram presentes, através de influência na minha própria música. Eu fiquei um período sem ouvir a música deles, por mera distração, e o lançamento de “Clancy”, no ano passado, fez com que eu me reapaixonasse pela sonoridade única deles. A mistura de elementos de indie rock, hip hop alternativo, punk rock e eletropop torna-os, a meu ver, uma das bandas mais interessantes que já ouvi, e com certeza uma das influências mais incidentes na minha música. Destaco as faixas “The Craving”, “Oldies Station” e “Next Semester”, por achar que mostram na perfeição a versatilidade do grupo.”

“Deepak Looper”, Papillon
“Este foi o primeiro concept album que ouvi na vida e um dos meus principais educadores. Ouvi este álbum pela primeira vez com 16 anos acabados de fazer e lembro-me perfeitamente do quão obcecado fiquei por ele. Ia todos os dias para a escola no metro a ouvi-lo, a interiorizar cada ensinamento e a tentar compreender aquilo que o Papillon estava a tentar transmitir, apesar de ser demasiado novo para interpretar certas mensagens. Hoje, 7 anos depois e já mais próximo da maturidade que o artista tinha quando criou este álbum, continuo a ouvi-lo periodicamente e a desvendar novos significados e a compreender ideias que não tinha apanhado antes. Destaco as faixas “Metamorfose, pt. 2” e “Impasse”.”

“The College Dropout”, Kanye West
O meu álbum favorito daquele que foi, durante muito tempo, o meu artista favorito. Hoje em dia é muito difícil apoiar aquilo que o Kanye faz, e já nem “separar a arte do artista” é algo viável quando se fala dele, infelizmente. Mas o que é certo é que ele nos presenteou com inúmeros álbuns clássicos que influenciaram e moldaram completamente o hip hop como o conhecíamos. “The College Dropout” é apenas um dos seus vários projetos incríveis, mas escolhi-o a ele por ser ele a marcar uma transição importante no hip hop. Na época em que este álbum foi lançado (2004) havia uma grande influência do rap gangster em tudo o que era hip hop, e este álbum veio provar que não é necessário “dar para mau” para conseguir ser um bom rapper. Destaco as faixas “The New Workout Plan” e “Jesus Walks”.
HM:
“‘Trabalho & Conhaque’ ou ‘A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança’”, NERVE
“Melodic Blue”, Baby Keem
“The Art of Slowing Down”, Slow J
“CHROMAKOPIA”, Tyler, The Creator
TOP 5 UNDERGROUND

“Softw@re 7.0”, Xanny7k
“Acho que tenho uma ligação emocional enorme com este projeto por ter sido escrito e produzido por mim, mas o que é certo é que a entrega do Xanny fez com que o projeto ganhasse outra vida. Não vou falar demasiado de certas características do EP, porque sinto que seria quase uma auto-bajulação, mas é certamente um dos projetos mais fortes já feitos no underground português, e quem não o ouviu está mesmo a dormir. Destaco a faixa “C0RR3”, que é a minha favorita em todos os aspetos.”

“FÓRMULA P”, Nyyy & Harboh
“É raríssimo, hoje em dia, eu sentir vontade de ouvir um projeto que é inteiramente constituído por trap. Foi uma sonoridade que ouvi tanto que sinto que a cansei para mim mesmo, mas o que é certo é que o Nyyy e o Harboh o fazem como ninguém. “FÓRMULA P” é, sem dúvida, o meu projeto favorito do underground quando a conversa é sobre trap. Desde beats, a flows, e até à estética que foi incansavelmente trabalhada (trabalho que eu pude acompanhar de perto e no qual dou um enorme shoutout ao meu mano Gonçalo Marcelo), tudo neste EP é agradável. Destaco a faixa “SUPER!POTENTE”.”

“Onde a Paz Não Existe”, FRANKIENB
“Sem qualquer intenção de bajular o nosso querido fundador da UNDERBOUNDS, mas o certo é que ele merece toda a apreciação também. Ouvi este projeto há relativamente pouco tempo, mas imediatamente percebi o talento e noção musical absurdos do Frankie. Um projeto com influências de hip hop alternativo e, portanto, um projeto que se enquadra mais ou menos no mesmo nicho que a minha música, e devo dizer que é um prazer ser colega de género de uma pessoa com este nível de talento. Ao longo do álbum podemos ouvir aquilo a que eu gosto de chamar de “rap sujo”, por conta dos sentimentos que são transmitidos ao ouvirmos apenas a colocação da voz. Destaco a faixa “Independente”.”
(Deixo aqui, já agora, o meu agradecimento pessoal ao lex pelas palavras, e que tudo aquilo que ele disse, eu repitirei milhões de vezes para ele: é um privilégio ser parte da mesma geração de artistas que ele e ter a oportunidade de ver o seu crescimento artístico a cada dia que passa. Let’s continue.)

“VISÕES”, RVI
“Quem não gosta de um bom projeto self produced, self written e self worked a nível visual? O RVI é a definição de one man band e eu acho que a maior parte das pessoas não está a dar o valor que devia. “VISÕES” é um projeto único que mistura influências de trap com elementos de hip hop alternativo em cima de beats muitos mais bem temperados do que o cravo do Bach. Pude ouvir algumas das músicas deste projeto ao vivo na SUBSOLO e devo dizer que essa é a forma correta de o apreciar – ao vivo – já que a energia do RVI se espalha até por quem nunca o ouviu. Destaco as faixas “PAZ NA CABEÇA” e “LO-HI”.”

“TOMAHAWK”, koi kowaku & sheluvsHUGO
“Sou assumidamente fã do koi e do sheluvs, e acho que formam uma dupla fortíssima por terem pontos contrastantes que trazem interesse à dinâmica deles enquanto duo. “TOMAHAWK” é um projeto leve e laid back no geral, com funny punches inconfundíveis do koi e com os flows loucos aos quais o sheluvs já nos habituou. Um EP que me traz algumas summer vibes e imensa vontade de mandar os meus moves de dança
terríveissó para poder sentir a energia como deve ser. Destaco a faixa “GHOUL” e a forma como a tag do sheluvsHUGO destruiu a minha capacidade de dizer “chilla” sem, de seguida, dizer “sheluvs” no groove da tag.“
HM:
“1Q”, PUtELI0
“CAPITAL”, Markzs
“DUPLA SENSAÇÃO”, xmat & brenin
“O Amor Que o Tempo Nunca Me Deu”, phaze

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