FRANKIENB é um dos inúmeros nomes artísticos do músico, empreendedor e blogger Frankie Igreja. Apesar de produzir grande parte da sua música, Frankie é um empenhado ouvinte, e exatamente por isso é que criou a rúbrica “UNDER10”, onde nos dará a conhecer os seus 10 projetos favoritos que revolucionaram a sua carreira artística.

As regras para os futuros artistas convidados são simples: queremos 5 projetos underground e 5 projetos mainstream, e não conta dizer projetos próprios nem mais do que dois do mesmo artista.

SOBRE FRANKIENB:

Depois de alcançar marcos históricos na música emergente portuguesa com apenas 19 anos e um telemóvel, FRANKIENB permanece uma força criativa que nasceu da inquietação e da versatilidade experimental de Frankie Igreja.

A sua sonoridade complexa, crua e humana prova uma flexibilidade musical excecional, tendo trabalhado nos mais diversos géneros tais como hip-hop, alternativo, pop e indie, com inúmeros artistas emergentes da indústria underground do país.

Com apenas 2 anos de carreira, FRANKIENB já soma mais de 70 mil streams vindas de uma centena de países, graças a álbuns monumentais da sua discografia tais como “NINGUÉM SE IMPORTA E TU TAMBÉM NÃO”; e “Novo Quarto, Novos Sonhos”, que produziu em apenas meio ano com direito a imensas entradas nas maiores playlists editoriais do país.

Entre os seus maiores trabalhos, destacam-se os singles próprios “SONDAS”, “Não Curto Love Songs” e “Lowkey”, além dos seus trabalhos como produtor tais como “Em Busca de Elisium” do saxofonista Gonçalo Pólvora, “Solução”, “Problemas de Expressão” e “Porta Trancada” da artista indie Inês Matias.

Apesar de ser o começo, FRANKIENB deixa um marco vísivel na música portuguesa graças ao seu extenso trabalho e à repercussão quase inalcançável, por ter assegurado milhares de ouvintes em um ano sem uma produtora, promoção, marketing ou estúdios profissionais, e atualmente está a produzir o seu próximo álbum “vidadulta”.

TOP 5 MAINSTREAM:

1. “Blonde”, Frank Ocean

“Blonde” cresceu comigo: esteve lá em todos os momentos, bons e maus. Quando eu criei o meu primeiro blog “PT Critic” com apenas 16 anos, a minha primeira review foi deste projeto e dei um 10/10, e até hoje não mudei de opinião. É o meu álbum favorito: uma produção nostálgica, singular e um delivery vocal tão pessoal com uma lírica extraordinária, sem grandes extravagâncias mas ao mesmo tempo tão inovador. Sempre que posso, coloco o vinil a tocar e oiço o projeto inteiro. “White Ferrari” é a música mais linda que eu tive o privilégio de ouvir, mesmo sendo uma música tão simples. E é isso que me fascina no “Blonde”: simplicidade e emoção na sua forma mais pura. Para mim, um projeto perfeito que revolucionou a minha forma de produzir.

2. “The Road to Hell Is Paved With Good Intentions“, Vegyn

Conheci o trabalho do Vegyn com o álbum “Only Diamonds Cut Diamonds”, e até hoje o single “Debold” é uma das minhas músicas eletrónicas favoritas. Mas quando ele lançou o “The Road to Hell Is Paved With Good Intentions“, fiquei completamente incrédulo com a produção dele. É simplesmente genial, foi uma amostra da sua singularidade no meio da música eletrónica atual. Foi como quando eu ouvi “Selected Ambient Works 85–92” do Aphex Twin pela primeira vez: simplesmente sem palavras para explicar o que tinha acabado de ouvir. Choro com o final do “Halo Flip” até hoje. *risos*

3. “CASE STUDY 01”, Daniel Caesar

Já ouvi tantas e tantas vezes este projeto, juntou muitos dos meus artistas favoritos desde Jacob Collier a Pharrell Williams a John Mayer e depois “só” fez um trabalho perfeito que me faz sentir saudades do passado mesmo sendo ainda tão jovem. A nostalgia é o meu maior ponto fraco e “CASE STUDY 01” toca na ferida com precisão e, ao mesmo tempo, delicadeza. Underrated.

4. “Two Star & The Dream Police”, Mk.gee

Apesar de recente, este álbum mudou a minha perspetiva musical do panorama atual. É quase como se tivesse entrado numa máquina do tempo e, do nada, estava nos anos 80, 90, a ouvir um artista extremamente talentoso numa sonoridade totalmente própria para o tempo que era. Mas não, era só o Mk.gee.

5. “Luís Severo”, Luís Severo

Para terminar a lista, não podia faltar o meu álbum português favorito. Uma mistura de simplicidade, beleza e emoção na minha língua que acredito que ninguém conseguirá fazer melhor do que o Luís. Este ano ele começou a seguir-me no Instagram e até hoje não estou em mim. Espero ainda conseguir trabalhar com ele num futuro próximo, mas não em nome de FRANKIENB.

Menções honorárias:

  • “Master of Puppets”, Metallica;
  • “It Is What It Is”, Thundercat.
  • “Vida Dupla”, Rapaz Ego.

TOP 5 UNDERGROUND

1. “Black Metal”, Dean Blunt

Ah, o meu artista favorito. A posição enigmática da carreira do Dean Blunt inspira-me desde sempre: um artista provocador, um “anti-pós-produção” que faz o completo oposto de produzir algo para as massas. O Dean é um artista para si mesmo, ele faz o que quer, quando quer, se quiser, e sempre será uma influência para mim, mesmo sabendo que não é esse sequer o propósito dele. “Black Metal” é aquela obra-prima que é tão crua, tão humana, tão natural… nem pude acreditar que um projeto destes conseguiu tanto sucesso no meio mainstream. Também acho que não era bem esse o objetivo do Dean Blunt.

2. “Madvillainy”, MF DOOM e Madlib

Sim, é conhecido, mas é underground. Se eu amo o rap e o hip-hop e os samples e as rimas e os beats e as líricas, é por causa deste álbum. Um projeto experimental onde podemos presenciar o melhor duo rapper-produtor de sempre, isto é um género de projeto que adorava poder fazer, mas ainda falta muitos danoninhos para fazer algo perto disto. É melhor nem pensar nisso. “Figaro” foi a faixa que me fez ser rapper e produtor.

3. “American Football”, American Football

Muito som. Muito bom. Uma banda que felizmente ganhou o merecido reconhecimento, hoje em dia talvez não seja muito underground. Foram anos e anos a ouvir o som familiar e melancólico de “Never Meant” e “The Summer Ends” em viagens longas. Uma nostalgia estrondosa e eu tenho apenas 20 anos, é lixado.

4. “Happysad”, Kiefer

Uma vez, apeteceu-me fazer uma corrida de 30km sozinho, de Mem Martins até arredores de Mafra, e a minha soundtrack foi o “Happysad”. Beats instrumentais hipnóticos e cheios de energia que nunca me falham quando aperto o “play”. Se querem correr bué kms, oiçam algo que vos anime, oiçam “Happysad”.

5. “MODA PODRE”, Diepretty Mercédes

Se houve alguém que inovou a sonoridade do underground português, foi o Diepretty Mercédes. A escolha de beats do “MODA PODRE” é simplesmente incrível, e o delivery é quase sempre flawless. Mesmo havendo algumas barras que são mais engraçadas do que boas, o Diepretty é o melhor a fazer o que faz, não há competição.

Menções honorárias:

  • “The Glow, Pt.2”, The Microphones;
  • “Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven”, Godspeed! You Black Emperor.
  • “UNDERTALE Soundtrack”, Toby Fox.

Acredito que me escaparam muitos projetos, mas estes projetos foram os que mais me moldaram como pessoa e, principalmente, como artista. Esta lista representa quem eu sou, o que vivi e o que senti. Mas ao longo dos anos, a lista vai mudando e nunca ficou igual duas vezes seguidas. Há sempre boa música a chegar.

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