
O UNDERBOUNDS não escolhe géneros, e hoje é um dia fantástico para celebrar o metal underground português. A escolha certa não se discute: a banda Klatter é o vocalista Tiago Mendes, os guitarristas Guilherme Madeira e Rui Brito, o baixista Tomás Morgado e o baterista João Madeira. Juntos, fazem do melhor que o metal alternativo pode dar, seja em estúdio ou em palco.
A UNDEREVIEW de hoje é de “PROFANE”, o álbum de estreia da banda: uma viagem intensa e distópica que aborda violência e conflitos pessoais, nunca deixando a sua sonoridade inovadora e explosiva ao longo do projeto.
Distopia: A experiência monumental de “PROFANE”
Começar um álbum com “My mind is like a shooting in a school” é corajoso, e é exatamente isso que os Klatter fazem em “Truth”, uma introdução perfeita para este projeto agressivo… e real. Logo nesta faixa percebemos automaticamente que devemos estar preparados para um álbum incrivelmente trabalhado.
“Profane” tem o riff mais memorável do álbum, uma lírica poderosa e produção fantástica, um switch extraordinário que não só muda a sonoridade como as nossas próprias sensações como ouvintes, e um solo de guitarra que me deixou sem palavras!
“Uncertainty” segue o conceito de “PROFANE” perfeitamente, e a escrita da banda comove com frases tais como a nossa favorita, “My eyes are voiceless but they say too much”. O final agressivo e potente da faixa faz qualquer um balançar a cabeça (o clássico “headbang”), mas não nos prepara para a obra-prima que vem a seguir.
A obra-prima é “Utopia”, que é, sem dúvida, o ponto alto do projeto, sendo possivelmente uma das melhores músicas de metal underground feito em solo português, onde junta harmonia e gritaria, melancolia e distorção e transforma-os em um contraste inexplicável. A produção final em coro deixa qualquer pessoa boquiaberta, para não falar do extraordinário solo de guitarra que nos leva para outro mundo. Não sei como é possível ser uma das músicas menos ouvidas de “PROFANE”: para nós, um 10/10.
A música seguinte, “The Run”, mantém a fasquia com um riff incrível, um switch inacreditável super bem colocado e o contraste da melodia da voz de Tiago em conjunto com as harmonias das guitarras de Guilherme e Rui, e após mais um solo incrível, num piscar de olhos ouvimos mais 6 minutos que representam perfeitamente a experiência de “PROFANE”.
Para respirar (e chorar) um pouco, Klatter “abençoam-nos” com “Submerso” – um interlúdio atmosferico-melancólico que está muito bem posicionado depois de 5 músicas fantasticamente potentes. O riff extraordinário que acompanha a faixa mostra que, mesmo sendo uma faixa de 1 minuto e 17 segundos, tem uma função muito importante no projeto e é uma das melhores experiências musicais de “PROFANE”, dando ainda uma ótima transição para a próxima música.
Música tal, “Dark Tear”, que é mais uma amostra espetacular do álbum, com várias partes e sensações que, juntas, transformam música em uma história completa.
“Deadweight” termina o álbum com um início melódico lindo, rapidamente engolido por um refrão brutalíssimo que impressiona todo o amante deste género que merece muito mais reconhecimento no mundo do underground português. Mais 7 minutos do melhor que há no género em Portugal, com um final que termina em perfeição este que é um dos melhores projetos portugueses que ouvimos no UNDERBOUNDS!
UNDEREVIEW
Ficámos sem palavras: apesar de ser o primeiro álbum de metal das nossas UNDEREVIEWS, os Klatter conseguiram um álbum de estreia super bem trabalhado que consegue transformar qualquer ouvinte de metal progressivo em um fã, especialmente tendo em conta o quão jovens os membros da banda são. Mas a idade não interessa quando a música é deste nível, desde a produção, aos solos, à estrutura e conceito do projeto (tanto ao todo como em cada faixa).
THE BIG 4:
- Utopia (10/10)
- Submerso (10/10)
- Dark Fear
- Deadweight
Não há mais nada a dizer, o resto está no projeto. Um dos melhores projetos que o UNDERBOUNDS teve o prazer de ouvir e falar sobre.


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